| Dr. Luiz Roberto Silveira Pinto (*) |
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| Desde a década de 60, quando o ingresso dos Planos de Saúde no mercado revolucionou o panorama do atendimento à saúde da população brasileira, o País experimentou mudanças significativas. Nos últimos anos, com o acirramento da concorrência entre as operadoras, o conceito de Medicina Preventiva ganhou status de alternativa eficaz para a melhoria dos serviços prestados pelas operadoras e, ao mesmo tempo, redução de custos das empresas. |
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| No passado, os pacientes geralmente ingressavam no sistema no auge de sua capacidade produtiva. Hoje, grande maioria dos beneficiários já se encontra acima dos 50 anos de idade. Tempos atrás, os exames laboratoriais - ainda incipientes - não acarretavam custos tão significativos para os planos quanto atualmente. Por sua vez, a chegada de grande contingente das classes C e D para o segmento dos Planos de Saúde, fez com que a guerra de preços neste mercado se tornasse ainda mais acentuada. |
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| Medicina Preventiva deixou de ser uma diferenciação para se tornar uma prerrogativa dos Planos de Saúde no sentido de manter saudáveis por mais tempo os beneficiários e evitar as complicações dos pacientes que já apresentam doenças, especialmente as crônicas. Segundo pesquisa divulgada em novembro de 2008 pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o número de planos que oferecem um programa de prevenção de doenças e promoção à saúde aumentou consideravelmente entre 2004 e 2005. Segundo o órgão, das 1.842 empresas de planos existentes hoje no mercado, 1.351 responderam a um requerimento de informações enviado pela agência. |
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| Destas, 47% desenvolvem programas de prevenção e promoção, atingindo 80% dos usuários de planos de saúde. A implementação destes programas é muito mais eficiente nos Planos de Saúde que oferecem preferencialmente a seus associados serviços próprios de atendimento, inclusive rede hospitalar e centros médicos. |
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| A Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) relaciona 42 tipos diferentes de programas de medicina preventiva no País. O próximo desafio é incluir cada vez mais os pacientes saudáveis uma vez que a expectativa de vida da população brasileira hoje é de 72,8 anos e tende a aumentar ao longo das próximas décadas. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 9% da população têm hoje 60 anos e a expectativa é de 20% em 2025. |
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| Num cenário de expectativas cautelosas para os próximos anos, em virtude da crise internacional que a todos afeta, a redução de custos das operadoras e a melhoria dos serviços prestados será uma equação cada vez mais difícil. |
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| A falta de informação faz com que os pacientes recorram aos especialistas menos indicados para seus casos e percorram uma verdadeira via crucis até a obtenção do diagnóstico. Os índices de normalidade nos exames de laboratório são altíssimos, atestando que boa parte é prescrita sem critério. O paciente sofre na carne, o convênio padece no bolso. Não é de admirar, portanto, que alguns planos tenham mudado de mãos ou simplesmente desaparecido. |
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| O velho conceito do "médico de família", em que um bom diagnóstico por meio de exames clínicos - e laboratoriais, quando necessários - e de uma conversa franca entre o profissional e o paciente resgata sua atualidade nos programas de Medicina Preventiva dos Planos de Saúde. |
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| Também há muito a se fazer pelos pacientes crônicos, a fim de evitar suas constantes internações - desde a constituição de grupos de ajuda para doentes de determinadas patologias até a disponibilização de suporte médico para o tratamento na convalescença ou na fase estacionária de uma doença, incluindo a internação domiciliar. |
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| Ao buscarem estreitar os laços com seus clientes, os Planos de Saúde se dão conta de que o paciente necessita, mais do que tudo, de orientação e atenção dos profissionais. É esta, aliás, a nobre função da Medicina. |
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| (*) O Dr. Luiz Roberto Silveira Pinto é médico, fundador e presidente da Samcil - Hospitais e Planos de Saúde, pioneira do setor, e é ex-presidente do Sindicato de Hospitais do Estado de São Paulo e co-fundador da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo). |